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Por volta das 22:10, enquanto eu e mais dois amigos caminhávamos pelos corredores da faculdade para irmos embora, uma súbita escuridão tomou conta do local. Até houve um sentimento de “euforia”, “que legal”, mas logo a luz retornou. Era o gerador. Até o portão de entrada da instituição caminhamos normalmente, mas somente até o portão.
Os edifícios residenciais e empresariais na frente da faculdade estavam apagados, exceto os que possuem gerador; olhando para parte superior da rua Vergueiro, tudo estava apagado; para o lado inferior, apagado; Mc Donald’s, apagado; mais ao fundo é possível avistar parte do edifício Altino Arantes, o antigo Banespa, portanto, o centro de São Paulo, apagado.
Nós, os três amigos, nos entreolhamos e resolvemos descer ao Metrô, não sabíamos que também havia parado. A escuridão só não era total por conta da luz proveniente do Hospital Santa Helena, devido ao seu duradouro gerador, e por causa das luzes dos carros na rua Vergueiro, que está sempre amontoada de veículos.
A cada minuto mais e mais jovens se aglomeravam em frente ao hospital, inclusive nós. Nunca naquela região se viu tantos jovens juntos, mesmo sendo um bairro cheio de instituições educacionais. O mais incrível era os brilhos dos celulares, os pontos indo pra lá e pra cá, brilhando por entre a escuridão, dando a impressão que estavam flutuando. A maioria estava com o celular na orelha, ou falando, ou tentando falar. Desconhecidos se tornaram conhecidos (eu particularmente conheci mais duas pessoas).
São Paulo estava ficando um caos. Por conta disso resolvi ligar para casa, em Diadema, e fui informado que também estava sem luz; logo em seguida liguei para um amigo que mora em São Bernardo do Campo, depois de muitas tentativas a cobrar, me informou também que estava sem luz; meu irmão que estava na região leste de São Paulo, também sem luz. Logo, o rádio nos informou que o Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, entre outros Estados brasileiros estavam totalmente ou parcialmente sem luz. Até o Paraguai ficou sem luz!
Enquanto aguardávamos alguma solução, um primo de uma amiga veio fazer o “resgate”. Era 11:00 p.m.. Eles foram, eu fiquei. No entanto, uns 15 minutos mais tarde, meu primo também veio ao meu resgate. Da São Joaquim nos dirigimos até o bairro da Vila Carrão buscar meu irmão.
As avenidas, as lojas, residências, edifícios, tudo e todos estavam num breu.
Enfim, Diadema, tudo apagado.
Thank God porque não choveu e a noite estava agradável.
Um banho na água fria foi para refrescar o cérebro, depois de uma noite às escuras.
Hoje, segue meu relato: um dia depois de ontem.
Por Márcio Ikuno
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